A Igreja Antiga, ou Capela de Nossa Senhora da Hora, ou mais popularmente conhecida como Igreja das Sete Bicas, foi mandada construir em 1514, a pedido do marítimo Aleixo Francisco, no sítio chamado Mãe d’água.  Era originariamente propriedade da Irmandade de Nossa Senhora da Hora. No interior encontram-se altares em talha dourada, dos séculos XVIII e XIX. A torre sineira, por seu turno, foi mandada construir em 21 de abril de 1911.

Desde a criação da paróquia, em 25 de abril de 1918, por decreto do Sr. Bispo Dom António Barroso, até à construção e inauguração da nova Igreja em 1963, esta desempenhou a função de Igreja Matriz. Há notícias de que, ao lado desta Igreja Antiga, havia uma Capela dedicada a S. Bartolomeu (no edifício onde funciona atualmente a Escola de Artes), demolida nos finais do séc. XIX, cujo culto tem a ver com a proximidade do mar. A imagem do então padroeiro foi colocada no altar-mor ao lado da padroeira Nossa Senhora da Hora. Por muitos anos, a designação da Irmandade reunia os dois patronos de Nossa Senhora da Hora e S. Bartolomeu.

Capela-mor

O altar-mor de Nossa Senhora da Hora é sumptuoso, imponente, em estilo barroco, de rica talha dourada, com arcaduras sobrepostas, suportadas por capitéis de colunas salomónicas, profusamente ornamentado com anjos e motivos vegetais que lhe são característicos, designadamente cachos de uva e parras.

A imagem de Nossa Senhora da Hora é de tipo roca, de reduzido valor escultórico, mas de elevado mérito religioso. O vestido e manto da Mãe, assim como o vestido do Menino Jesus, que tem nos braços, são bordados a ouro e as suas coroas são também deste metal, trocadas pelo ouro das ofertas e fruto das promessas que lhe eram feitas. A seus pés, na peanha em que assenta, encontram-se dois anjos.

No seu lado direito, em lugar de honra, encontra-se S. Bartolomeu, à esquerda, S. José. A imagem de São Bartolomeu era originariamente da capela do mesmo nome (demolida em 1915) e foi transferida para esta Igreja da Senhora da Hora no dia 7 de setembro de 1919. Na zona da capela-mor, do lado da sacristia, encontra-se um nicho com a imagem de Santa Rita de Cássia (séc. XIX-XX).

Sacrário

Apenas a partir do séc. XIX, mais precisamente, a 14 de fevereiro de 1892, foi autorizada a colocação de sacrário na capela, através de licença emitida pelo Bispo do Porto, pela necessidade que se fazia sentir de levar o viático aos doentes. Para tal, concorreu também o facto de a Igreja Matriz de Matosinhos se encontrar a 3,5 km de distância. Tal como toda a capela-mor, o sacrário é feito em talha dourada; na porta tem uma representação de Cristo Ressuscitado.

Imagem de Nossa Senhora daPiedade ou da Soledade

Imagem Nossa Senhora da Piedade ou de Soledade. Escultura do séc. XVI, autor desconhecido. Em 1897, foram mudados os altares de Nossa Senhora da Piedade e de Nossa Senhora da Conceição.

Altar do Sagrado Coração de Jesus

Altar dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, outrora pertencente à primitiva e extinta capela de S. Bartolomeu. É uma devoção que ganha força a partir do séc. XVII, afirmando a largueza da misericórdia de Deus contra os rigores do jansenismo. A imagem é do séc. XIX. À esquerda, imagem de Santa Luzia, mártir do séc. IV, e à direita, a imagem de Santo António de Lisboa, o santo de todo o mundo (1195-1231), ambos muito venerados pela piedade popular.

Altar de Nossa Senhora de Fátima

Imagem de Nossa Senhora de Fátima, séc. XX, reflete o enorme impacto das aparições ocorridas entre 13 de maio e 13 de outubro de 1917.

Batistério

Criada a paróquia em 25 abril de 1918, o primeiro registo de batismo data de 10 setembro de 1918, constante no Livro de Registo de Baptizados, Casamentos e Óbitos, sendo igualmente o primeiro documento histórico que envolve a paróquia.Todo o espaço é alusivo ao batismo de Jesus no rio Jordão, quer pela pintura, quer pelo teto em forma de concha.

Torre sineira

O contrato para construção da torre sineira nesta Capela de Nossa Senhora da Hora foi assinado no dia 21 de abril de 1911.

Culto a Nossa Senhora da Hora

Não se sabe ao certo a data do início da Festividade de Nossa Senhora da Hora, mas pensamos que possivelmente remonta aos meados do séc. XVIII, tal como a do Bom Jesus de Bouças. As grávidas vinham pedir a sua proteção no parto, as mães para a doença dos filhos mais novos.

Os crentes em geral faziam-lhe promessas, algumas tendo de efetuar um determinado percurso à volta da Igreja, de joelhos, em caráter penitencial. Outros ofereciam à divindade figuras em cera de partes do corpo que tinham sido curadas, sob sua proteção.

Os lavradores ofereciam produtos cerealíferos e hortícolas. Todas as ofertas eram guardadas no edifício situado no lado esquerdo da antiga Igreja Matriz, onde ainda se conserva e onde podia ler-se: Casa dos Milagres. As grávidas vinham implorar à Virgem “uma horinha curta e boa” no parto; as estéreis acorriam para conceberem o desejado filho, os solteiros para arranjarem namoro, os casais e namorados vinham beber um pouquinho de água de cada uma das sete bicas da Fonte para casarem e se assim fizessem, segundo a crença, conseguiriam alcançar o desejo de casamento; os casados rogavam para serem felizes, os doentes suplicavam a cura, os tristes e oprimidos pediam para se libertarem, outros ali vinham para cumprir promessas, em sinal de agradecimento por serem ouvidos em horas de enorme aflição.

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