HOMILIA NO III DOMINGO DA PÁSCOA A 2026
“Os irmãos eram assíduos à fração do Pão” (At 2,42)! Refletimos sobre a importância desta assiduidade, no passado domingo. A assiduidade à Eucaristia – como nos refere o livro dos Atos dos Apóstolos (At 2,42-47) – anda a par com a assiduidade à Catequese, à Comunidade, à Comunhão fraterna e à Oração comunitária. Hoje, o Evangelho insiste, por duas vezes: os discípulos, na tarde daquele domingo de Páscoa, o primeiro dia da semana, reconheceram Cristo Ressuscitado, no gesto típico da Fração do Pão, o nome mais antigo da Eucaristia. Por isso, voltemos ao Evangelho, para compreendermos a importância da assiduidade à comunidade, à catequese e à Eucaristia. Assiduidade quer dizer presença e participação, fidelidade ao encontro, sem faltas, sem ausências, sem interrupção!
1. Assiduidade à comunidade.Os dois discípulos, traumatizados pela morte de Jesus, estão em fuga; fazem um caminho de 12 quilómetros, de Jerusalém para Emaús. Abandonaram o Grupo dos Doze e a Sala da Ceia e julgam curar as suas feridas, fugindo de casa, entrando pela noite da solidão, do desencanto, da tristeza. Desconhecemos o nome de um deles, para lá colocarmos o nosso nome! É o nome dos que se sentem magoados, desiludidos, desencantados com Jesus, consigo mesmos, com os outros, e, por isso, desertaram da comunidade. Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho. Onde dois ou três se reúnem em Seu nome, Ele está no meio deles (cf. Mt 18,20)! Não é correndo na sua própria pista, isolados, em autogestão, mas seguindo juntos o caminho, que poderão reencontrar o rosto de Cristo vivo. Diz o Evangelho, que depois daquela longa Liturgia da Palavra e da Fração do Pão, eles partiram imediatamente de regresso a Jerusalém. Era domingo de Páscoa, o primeiro dia da semana. Não sei a que distância estaremos. Voltemos a Jerusalém, à comunidade cristã, sem faltas, sem desistências ou intermitências!
2.Assiduidade à catequese. No diálogo de Jesus com os discípulos, há um longo e paciente exercício de catequese: começando por Moisés e passando pelos profetas Jesus desfia as Escrituras, para os ajudar a ler e a interpretar a sua morte, como Páscoa da Vida. Pedro faz o mesmo no dia de Pentecostes. Cita os salmos para mostrar que se cumpriu em Cristo a Promessa da Ressurreição: Jesus, descendente de David, não foi abandonado à mansão dos mortos, nem a sua carne conheceu a corrupção. Deus ressuscitou-O dos mortos. É este o núcleo do ensinamento e do testemunho dos apóstolos. É este o anúncio fundamental de Jesus, na sua «homilia», com os discípulos de Emaús. Vede: em cada domingo, na Eucaristia – em cada semana na Catequese – nós escutamos a Palavra, que faz arder nos nossos corações, a chama viva da esperança, Cristo morto e ressuscitado. Sejamos assíduos à escuta da Palavra, na celebração e na Catequese. Não faltemos por nada a este encontro com o Senhor!
3. Assiduidade à Eucaristia. Para reconhecerem Jesus, para poderem dizer e testemunhar que Ele ressuscitou verdadeiramente, os discípulos de Emaús, tiveram de voltar à mesa da Ceia, de regressar àquela noite, em que Jesus ia ser entregue, e tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-o. Tiveram de voltar ao gesto típico de Jesus, à fração do Pão, à Eucaristia. Quando O reconheceram ao partir o Pão, Jesus desapareceu da sua presença! Porque, doravante, é na Eucaristia, que esta presença de Cristo vivo e ressuscitado se oferece e manifesta.Dizia-nos o Papa Leão XIV no passado domingo: “A Eucaristia dominical é indispensável para a vida cristã. É ali que a nossa fé se alimenta e cresce. Isto compromete-nos, mais do que nunca, a ser assíduos e fiéis ao nosso encontro eucarístico com o Ressuscitado” (Regina caeli,12.04.2026).Voltemos, pois, em cada domingo, o primeiro dia da semana, à Eucaristia, para a celebração da Páscoa semanal. Não seja este, para nós, um encontro intermitente, ora presentes ora ausentes. Não descartemos a Eucaristia, por nada deste mundo; que a participação na Eucaristia dominical seja um compromisso irrenunciável, para conhecermos os caminhos da vida, encontrarmos a alegria na Sua presença e a Paz do coração! Voltemos a casa, à comunidade, à catequese, à Eucaristia. Abandonemos o caminho da tristeza. Retomemos o caminho da alegria!