Homilia no II Domingo de Páscoa A 2026
1.“Eram assíduos” (At 2,42)!Gosto muito desta expressão. Porque a assiduidade, a presença constante e a participação ativa, é que garantem a fidelidade da fé e a construção sustentada de uma comunidade cristã! Cristãos intermitentes, ora presentes, ora ausentes, não crescem na fé, nem fazem crescer uma comunidade. Por isso, o retrato traçado por São Lucas sobre a primeira comunidade cristã é inspirador para superar valores muito em baixa, na vida de tantos cristãos hoje: a assiduidade, a participação, o compromisso!
2.Os primeiros cristãos eram afinal assíduos a quê?A quatro dimensões fundamentais da fé cristã (cf. At2,42-47):
2.1.Eram assíduos ao ensino dos apóstolos, isto é, à escuta da Palavra, à Catequese. Pensemos na assiduidade dos nossos cristãos – em geral – e dos nossos catequizandos – em particular – à Catequese: uma catequese de que os adultos praticamente se dispensam; uma Catequese, em muitos casos, reduzida à infância, como preço a pagar para fazer a primeira comunhão ou a profissão de fé; uma Catequese em que os inscritos, crianças e adolescentes, ora participam ora faltam, ora faltam mais do que participam, trocando a catequese por uma festa de anos ou por uma coisa qualquer! Como estruturar uma fé esclarecida, com uma catequese semanal de participação intermitente?! Sejamos assíduos aos ensinamentos da fé!
2.2.Eram assíduos à comunhão fraterna, isto é, à caridade, à partilha de recursos, pessoais e materiais, pois viviam unidos e tinham tudo em comum, distribuindo o dinheiro por todos. Quanto caminho não teremos a fazer, para descobrirmos a importância da partilha dos bens, do contributo paroquial, por exemplo, como sinal de comunhão e de participação na edificação da nossa Casa Comum e não como moeda de troca para direitos religiosos? Quanto caminho não teremos ainda a fazer, para que as nossas comunidades se deixem de bairrismos separatistas, para aprenderem a pôr em comum os seus dons e riquezas próprias? É preciso assiduidade, comunhão afetiva e efetiva, participação ativa, compromisso com a comunidade! Não te descartes. Todos precisam de ti. Todos precisamos de todos, sem falta!
2.3.Eram assíduos à Fração do Pão. Este é o nome dado pelos primeiros cristãos à Eucaristia. Porque é que nós faltamos à Eucaristia, por dá cá aquela palha, e já nem sequer nos acusamos dessa falta?! Como não compreendemos que estamos convocados, desde o dia da Ressurreição, para celebrar a Eucaristia Dominical, como verdadeira Páscoa semanal? Como não entendemos que a Eucaristia é a fonte e o cume da vida e da comunidade cristãs? Porque não compreendemos que é melhor menos Missas e melhor Eucaristia, menos Missas e mais comunidade… do que mais Missas sem mesa fraterna, sem qualidade, sem ministérios litúrgicos, sem participação ativa e significativa dos fiéis? Façamos da participação na Eucaristia um compromisso irrenunciável! Não façamos do domingo um feriado, mas um dia santo, o dia que o Senhor fez para Si a pensar em nós!
2.4.Eram assíduos às orações. A vida cristã alimenta-se também da oração comunitária, que une e reúne a comunidade à volta do seu Senhor! A oração é pulmão e respiração da vida dos cristãos. Sejamos mais assíduos à oração! Rezemos juntos.
3.Sobre a importância desta assiduidade, em quatro dimensões, temos o caso de Tomé. O que distingue os dois encontros hoje referidos pelo Evangelho?No primeiro, Tomé não estava com eles. No segundo estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Vede: Tomé não chega à fé sozinho. Precisa de regressar à sala da Ceia, de regressar à comunidade, à fração do Pão; precisa do encontro, do abraço e do testemunho dos outros, para tocar e se deixar tocar pela presença de Jesus Ressuscitado. A comunidade cristã, reunida, no primeiro dia da semana, na sala da Ceia, é o lugar de gestação da nossa fé! A assiduidade, a participação, o compromisso, com a Eucaristia e a comunidade, são a pedra de toque da nossa fidelidade a Cristo; já a inconstância, a ausência, a demissão, são a principal pedra de tropeço na fé. Se não acreditas, experimenta e verás como Tomé que assim é!