Liturgia e Homilias no II Domingo Comum A 2026
Destaque

Celebramos hoje o 2.º Domingo do Tempo Comum. Depois das festas natalícias e da Manifestação do Senhor no seu Batismo, chegou a hora de Jesus ser apresentado por João Batista. Conhecer Jesus e dá-l’O a conhecer com mansidão é o testemunho que João nos deixa hoje. Na verdade, as imagens belas do cordeiro e da pomba sugerem-nos a mansidão, como forma de ser e como estilo de evangelização. Deixemo-nos então converter pelo Senhor, cuja força e poder Se revelam no Seu coração manso e humilde.

Homilia no II Domingo do Tempo Comum A 2026

 

1.Em dia de eleições, João Batista não faz campanha por Jesus, não faz uma apresentação exaustiva da biografia ou do currículo oculto de Jesus, ao longo de 30 anos de silêncio. Não. João apresenta Jesus, dando testemunho do que viu, ou melhor, do que lhe foi dado ver. Jesus é manifestamente diferente do que João pensara d’Ele. Imaginava-O um rei forte, poderoso, potente. Mas, na verdade, apresenta-O como um Cordeiro, que não berra, ao ser imolado; é um Servo, manso e humilde de coração, pronto a sacrificar a própria vida, para salvar a nossa. Jesus não voa altivo sobre asas de águia, mas sobre Ele desce e permanece o Espírito em forma de pomba, uma ave simples, alegre, sem fel. Pela sua doçura e mansidão a pomba é associada à paz, à nova criação, à simplicidade (cf. Mt 10,16) e ao amor. Torna-se então claro, por este título de Cordeiro e por esta imagem da pomba: Jesus não entra neste mundo com botas de guerra e armas afiadas. Não se afirma nem pela força, nem pelo poder. É manso e humilde de coração (cf. Mt 11,29). 

2.Numa das bem-aventuranças, Jesus propõe-nos esta sua mansidão como estilo de vida (Mt 5,4), como via da santidade. No início do seu pontificado e na Mensagem para o Dia Mundial da Paz, Leão XVI propôs-nos a mansidão de uma paz desarmante e desarmada, num tempo marcado por tensões, violências e por uma terceira guerra mundial em pedaços. “Assistimos hoje a um fenómeno inquietante: a guerra voltou a estar na moda e um certo fervor bélico alastra. Já não se procura a paz como dom e bem em si mesmo, mas tenta-se alcançá-la através das armas, como condição para afirmar o próprio domínio” (Leão XIV). Mas desçamos ao campo de batalhas das nossas casas e famílias, das nossas escolas e ambientes digitais e sociais. Os dados de 2025 em Portugal revelam tendências preocupantes na violência, com um aumento nos homicídios (108 em 2025, o valor mais alto em 7 anos, 24 mulheres vítimas), subida da violência doméstica (mais de 7.700 ocorrências em 3 meses, com mais de 1.400 vítimas acolhidas no 1.º trimestre), e um foco na violência escolar. A PSP detetou 54 armas nas escolas no ano letivo 2024/25 e 130 situações de ‘bullying’ e 21 de ‘cyberbullying. Na Rede Nacional de Apoio a Vítimas de Violência Doméstica, mais de 1 400 pessoas foram acolhidas nesse mesmo período, muitas delas crianças que acompanham mães e pais feridos no corpo e na alma. Eis um mundo onde a ira venceu a mansidão!


3. Eis porque aqui é inevitável combater, desde logo, o pecado da ira. Na ira, perde-se o controlo, deixa-se de discernir o que é verdadeiramente importante, e pode-se ferir gravemente um irmão — às vezes sem remédio. Por causa da ira, tantos irmãos não se falam, afastam-se, rompem laços familiares e comunitários. Ora, a ira afasta e separa; a mansidão atrai e congrega na unidade.

4.Neste contexto, ser discípulo do Cordeiro, significa pôr no lugar da malícia a inocência, no lugar da força o amor, no lugar da soberba a humildade, no lugar do prestígio o serviço. Deixar descer e permanecer em nós a pomba do Espírito Santo significa preferir o mel ao fel, a simplicidade à exuberância, a humildade à arrogância, a mansidão à violência, o perdão à vingança, a ternura à agressividade, a docilidade à dureza, a gentileza à rudeza, a escuta à acusação, a unidade ao conflito. Reagir com humilde mansidão é verdadeiramente um dos mais belos e urgentes testemunhos de santidade (cf. GE 71). 

5.Só o testemunho de um coração simples, manso e humilde, pode desarmar as resistências, por parte dos que se aproximam de nós com duas pedras na mão.  Esta mansidão deve também marcar o nosso estilo de evangelização, propondo o Evangelho, com brandura (cf. 1 Pd 3,16; 2 Tm 2,25), não para conquistar territórios, mas para alargar o espaço da tenda do nosso coração. Os mansos possuirão aquela terra prometida, que afinal é o Céu, que todos esperamos alcançar (cf. Mt 5,4).

 

 

 

Top

A Paróquia Senhora da Hora utiliza cookies para lhe garantir a melhor experiência enquanto utilizador. Ao continuar a navegar no site, concorda com a utilização destes cookies. Para saber mais sobre os cookies que usamos e como apagá-los, veja a nossa Política de Privacidade Política de Cookies.

  Eu aceito o uso de cookies deste website.
EU Cookie Directive plugin by www.channeldigital.co.uk