Liturgia e Homilias da Solenidade da Epifania do Senhor 2026
Destaque

No caminho, andam uns Magos, em busca do Salvador. Procuram aprender a ler os sinais, a ouvir os outros, a escutar as Escrituras. E, pelo Caminho, encontram o Messias esperado, em Belém, no Presépio, a “Casa do Caminho”. Ali se prostram em adoração e oferecem os seus presentes e, depois, voltam, mas por outro caminho. Nesta Solenidade da Epifania – que em Itália, por ser feriado, se celebrará no próximo dia 6 de janeiro – o Papa Leão XIV concluirá o Jubileu da Esperança, encerrando a Porta Santa da Basílica de São Pedro em Roma. Agora, há que dar continuidade a esta Esperança que não engana e não morre, que é o Senhor Jesus. Termina o ano Jubilar, mas não termina o caminho, nem se fecha a porta da Esperança. Ela continua aberta e a abrir-nos caminhos de esperança. Como os Magos, dobremos os nossos corações, prostrados, diante da humildade do Menino, e peçamos ao Senhor que ilumine as trevas do coração com a luz da sua paz.

Homilia na Solenidade da Epifania do Senhor 2026

1. Uma das mais belas tradições do Natal é a oferta e a troca de presentes. Exprime a alegria da surpresa e da gratuidade, uma marca tão típica do mistério do Natal. Esta troca de presentes, quando atenta e desinteressada, faz todo o sentido, ao escutarmos, desde a noite de Natal, que «um Menino nasceu para nós, um Filho nos foi dado» (Is 9,6). Ele é a prenda, que o Pai oferece à Humanidade, dando-lhe o que tem de mais precioso: o próprio Filho.  No Filho, Deus não nos dá algo, mas dá-Se a Si mesmo.

2. Os Magos, chegados à Casa do Caminho, oferecem presentes. Eles mostram-nos quanto o dom acolhido de Jesus no Presépio se transforma em dom oferecido a Jesus. Os Magos oferecem presentes, porque compreenderam o sentido desta inesperada e inaudita permuta de dons, entre Deus e a Humanidade. No mistério da Encarnação redentora, há um intercâmbio de dons, sem talão de troca: Deus toma o que é nosso e dá-nos o que é Seu. Dito de outro modo, a nossa fragilidade humana é assumida pelo Verbo; o homem mortal é elevado à dignidade imortal e unido a Deus, em comunhão admirável, torna-se participante da vida eterna (cf. Prefácio do Natal III).

3. A peregrinação dos Magos e o seu maravilhamento diante do Senhor, materializa-se, de forma extraordinária na oferta do ouro, do incenso e da mirra. Talvez ao Menino, a Maria e a José, fizessem mais falta roupa, calçado, leite, pão e queijo. Mas aqueles dons dos Magos não querem responder a necessidades imediatas, antes traduzir a sua fé humilde em Jesus, o Messias esperado: eles oferecem ouro, como a um Rei; incenso como oblação a Deus e oferecem a mirra, que servia para ungir um corpo morto. Deste modo, os Magos vergam-se diante de um Menino, que reconhecem como Rei e Senhor, como Salvador e Messias e, no entanto, é um Deus, sujeito à fragilidade mortal da carne humana. Vede: estes Magos, que começaram a sua caminhada a olhar para o céu, a olhar para a Estrela, encontram o sinal dado, inclinando-se para o chão da pobre humanidade de uma criança indefesa. Agora, para encontrar o Salvador, não é preciso olhar para cima, mapear os astros, captar energias, mas contemplar o que está em baixo, na manjedoura e tocar a carne humana do Menino. A omnipotência de Deus resplandece na impotência de um recém-nascido; a eloquência do Verbo eterno ressoa no primeiro choro de um bebé. Os Magos – indagadores do mistério – chegam assim à fé, tornam-se os primeiros crentes, entre os pagãos, imagem da Igreja reunida de todas as línguas, povos e nações!

4. Agora que se encerra o Jubileu, este é um novo tempo de gratidão e de missão. Gratidão pelo dom recebido, missão para o testemunhar ao mundo. Numa palavra, este caminhar juntos, esta troca de ideias, esta troca de presentes, esta troca de recursos humanos e materiais – que os Magos nos testemunham – deve continuar: troca de dons entre nós mesmos e em tantas formas de partilha; troca de dons, dentro da paróquia, entre pessoas e grupos; troca de dons, entre as paróquias, confiadas ao mesmo pároco; troca de dons, na relação das paróquias com as instituições locais. Unindo forças e reunindo esforços. Convergindo riquezas pessoais e paroquiais, para o bem comum.

5. Irmãos e irmãs: temos pela frente uma oportunidade excecional, para intensificar este intercâmbio de dons. O nosso Bispo anunciou e convocou, no passado domingo, um Sínodo Diocesano. Trata-se de um caminho, de escuta, de diálogo, de partilha de ideias – que é sempre uma partilha de dons – de visões, de perspetivas e expetativas, para encontrarmos juntos um rumo e um futuro para a amada Igreja do Porto. Sejamos, pois, capazes, como os Magos, de caminhar juntos, de lermos os sinais, de escutarmos o Espírito Santo, de partilharmos os dons, para seguirmos por um caminho novo.  É bem-vinda esta surpresa e seja bem a prenda de um Sínodo Diocesano, neste tempo do Natal, porque Sínodo é Caminhar juntos e o Presépio é Casa do Caminho, porto de abrigo entre partidas e chegadas de um povo peregrino; é Casa a Caminho, porque não nos deixa instalados nos passos e caminhos já andados; é Casa no Caminho, porque queremos ser Igreja, implantada no meio das casas dos homens e mulheres da nossa terra e ser para todos eles uma Estrela que os guie na direção da Luz: Jesus Cristo!

 

 

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