Liturgia e Homilia na Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus - Ano Novo 2026
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Salve Ano Novo de 2026! Feliz dia 1 de janeiro, do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo. Janeiro deve o seu nome ao deus pagão dos começos, das passagens e dos portais, que era representado pelos romanos com duas faces, uma voltada para o passado e outra para o futuro. Para nós, cristãos, a história está grávida de Cristo e o tempo é sempre graça, oportunidade, bênção. Mesmo se já se fecharam as Portas Santas do Jubileu, nas Dioceses do mundo inteiro, Cristo, nossa esperança, permanecerá sempre connosco. Ele é a Porta sempre aberta, que nos introduz na vida divina. Acolhamos, sim, a graça de um novo ano civil, com o encanto e a esperança de uma frágil criança, ao colo de Sua Mãe. Neste Dia Mundial da Paz, abram-se, no nosso coração, caminhos de Paz.

Homilia na Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus 2026

 

No primeiro dia do novo ano civil, a Igreja desafia-nos a acolher e a contemplar três grandes dons: Maria, a Santa Mãe de Deus; o Menino Jesus, no Presépio, Príncipe da Paz; e o nosso compromisso com uma Paz desarmada e desarmante. Não começamos o novo ano com um programa político ou uma estratégia humana, mas sob a proteção da Maria, como filhos no Filho, ao colo da Mãe. Na verdade, nada tem a capacidade de mudar-nos mais do que um Filho. Justamente, ao pensarmos nas crianças, nos nossos filhos, nos mais frágeis, o nosso coração desarma-se, anseia e abre-se à Paz!

1. Contemplemos então, em primeiro lugar, a Santa Mãe de Deus. O Concílio de Éfeso (no ano 431) declarou Santa Maria como Mãe de Deus. Este é, sem dúvida, o seu maior título de glória. Mas é um título que se liga e dedica totalmente a Cristo, verdadeiramente Deus e verdadeiramente Homem, como o definira, o Concílio de Niceia, no ano 325. O Verbo eterno do Pai desejou nascer de uma Mulher, para partilhar a nossa humanidade, a nossa fragilidade, a nossa história. Aquele por Quem todos esperavam não chegou até nós como um Ser Todo-Poderoso. “É um bebé, para que seja palavra de esperança. Perante a dor dos miseráveis, Deus envia um indefeso, para que seja força para se levantarem; perante a violência e a opressão, Deus acende uma luz suave, que ilumina com a salvação todos os filhos deste mundo” (Leão XIV, Homilia na noite de Natal 2025).

2.Contemplemos, com os olhos de Maria e de José, o Presépio, onde nos é oferecido o Príncipe da Paz.A bondade, que se manifesta no Presépio, é desarmante! O Presépio não é um enfeite ou uma bolha sentimental. É uma profecia viva da Paz. Deus não entra na história com exércitos, mas com o choro de uma criança indefesa. Deus vem transformar o mundo, não com a força das armas, mas com a ternura de um Menino. No Presépio, tudo é desarmado: um Deus que não impõe, mas Se propõe e oferece à nossa aceitação; uma Mãe que não retém o Filho, mas O acolhe e O oferece, guardando e meditando tudo em seu coração; uma família pobre, que vive do trabalho de um carpinteiro; pastores e magos que se alegram e se deixam conduzir e seduzir pela ternura de um Menino. Assim, a Paz verdadeira não nasce da força e do medo, mas da confiança mútua; não nasce da imposição violenta, mas da relação cordial. Por isso, o Presépio é a imagem mais simples e revolucionária da Paz. Ali, não há armas, não há poder, não há defesas. Há fragilidade, silêncio, aceitação. A Paz do Presépio é uma Paz desarmada e desarmante. Desarmada, porque não se impõe pela força; desarmante, porque toca o coração e nos transforma a partir de dentro. A Paz não começa nos tratados internacionais, mas no coração desarmado. Por isso, não há desarmamento sem um desarmamento do coração e da mente!

3.Antes de ser um objetivo distante, a Paz é uma presença e um caminho. A Paz constrói-se, como o Presépio, em caminho, a caminho, no caminho, juntos.Ninguém constrói a Paz sozinho e de uma vez por todas. A Paz constrói-se diariamente, com todos, por todos, para todos. Caminhar juntos, na obra da Paz, implica acolher em vez de julgar, escutar antes de responder, dialogar antes de condenar, discernir antes de decidir e refazer a rota, quando se perceber que um tal caminho não conduz à Paz. Por isso, a nossa prece «Abre-nos caminhos de esperança», encontra eco na Mensagem do Papa, quando nos desafia: “Abramo-nos à Paz”: à Paz desarmada e desarmante. Como? Escolhendo o diálogo em vez da polarização; promovendo, dentro das famílias, dos grupos, da comunidades, a ternura em vez da agressividade; relações fraternas e reconciliadas, em vez de rivalidades crispadas; a valorização das diferenças e a rejeição de toda a violência. Cultivemos o perdão como o pão quotidiano, sem esquecer a oração diária, essa arma que nos desarma o coração!

 Irmãos e irmãs: O Natal do Senhor é o Natal da Paz. Que as nossas Paróquias, as nossas famílias, se tornem Casas de Paz, onde se cultivam a partilha dos dons e o perdão mútuo. Assim, confiantes, ao colo de Maria e apoiados na vara de José, acolhamos a bondade do Menino Jesus e abramo-nos à Paz, para manter viva a chama da esperança, em todos os dias do novo ano de 2026.  A Paz do Menino Jesus, desarmada e desarmante, esteja convosco, hoje e sempre, pelos séculos dos séculos. Ámen.

 

 

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