Liturgia e Homilias na Solenidade da Epifania do Senhor 2023
Destaque

Abraça o presente de Natal. É Cristo vivo. Com este lema, levantámo-nos e percorremos juntos, desde o início do Advento até à plenitude do Natal, este caminho de busca de Deus, que culmina hoje no beijo e no abraço do encontro pessoal com o rosto de Jesus, Deus feito Menino. Ele manifesta-Se hoje, no Presépio de Belém, como Luz de todos os Povos, ali representados nos Magos, vindos dos Orientes. Assim aprendemos, que o presente também é o diferente, o distante, o ausente.  Neste Ano de 2023, marcado pela Jornada Mundial da Juventude, aprendamos dos Magos esta nossa vocação de peregrinos, de buscadores de Deus, atraídos pela beleza, pela verdade e pela bondade de Deus no rosto de Cristo. Como os Magos, levantemos a cabeça, escutemos o desejo do coração, sigamos a Estrela que Deus faz brilhar sobre nós. E como indagadores inquietos, permaneçamos abertos às surpresas de Deus, que sempre nos abraça no Seu amor!

Homilia na Solenidade da Epifania do Senhor 2023

1. Chegámos hoje à plenitude do tempo de Natal, que preparámos e celebramos, movidos pelo desejo de um abraço ao verdadeiro presente de Natal, que é Cristo vivo. No fundo, o nosso caminho foi semelhante ao dos Magos, quanto ao seu desejo: “Viemos adorá-l’O” (Mt 2,2). E adorá-l’O não significa apenas submeter-se e reconhecer Deus, como verdadeira medida do bem e da verdade, pela qual orientar a nossa vida. A palavra «adoração», na sua raiz latina, «ad-oratio», quer dizer muito mais: é contacto boca a boca, é beijo, é abraço e, por conseguinte, é fundamentalmente, Amor. Dito de maneira simples, “viemos adorá-l’O” significa, literalmente, “viemos para O beijar, para O abraçar, para Lhe dizer, de viva-voz, no final desta etapa do nosso caminho de busca e de encontro com o Senhor: «Senhor, eu adoro-Te» ou «Senhor, eu amo-te»”. A adoração dos Magos não é mais do que o beijo e o abraço ao presente que é Cristo vivo.

2. Nesta perspetiva, o longo caminho de busca de Deus, de indagação da verdade, de atração pela bondade e pela beleza do rosto de Deus, percorrido pelos Magos, tem o seu ponto culminante, neste encontro pessoal com Cristo e traduz-se num gesto humilde de adoração e doação: “prostrando-se, adoraram-n’O; e, abrindo os cofres, ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra” (Mt 2,11). Eis, mais uma vez, a admirável permuta de dons, entre Deus e nós: Deus faz-Se presente no Menino e os Magos oferecem os presentes, abraçando e deixando-se abraçar pelo Presente que é Cristo vivo. A adoração, o beijo e o abraço, o amor a Cristo, são os verdadeiros presentes. Os presentes que os Magos oferecem ao Messias simbolizam a transformação de uma vida, a partir do encontro com Cristo. Cristo transforma a vida dos Magos em vida dada, doada, oferecida.

3. Irmãos e irmãs: estes últimos dias foram marcados pela ascensão de uma Estrela mundial, que, por muito tempo, guiou pensadores, iluminou filósofos, inspirou teólogos e orientou tantos fiéis e inúmeras pessoas de boa vontade, na Sua busca da verdade, na procura do rosto Deus, no desejo de encontro pessoal com Cristo. A Estrela de que falamos é obviamente o Papa emérito Bento XVI. Sem exagero, poderemos dizer que se trata de um verdadeiro Mago dos tempos modernos, isto é, um sábio desinstalado, um humilde indagador dos sinais de Deus, um peregrino, um buscador inquieto do rosto de Cristo, um crente “arrebatado pelo amor do que é invisível” (Prefácio I do Natal). Naquilo que pensou e escreveu e no modo como viveu, como teólogo «colaborador da verdade» e como Pastor e humilde trabalhador da vinha do Senhor, Bento XVI não é apenas um Mago do nosso tempo. Poderíamos dizer que é também, como Papa, um Magno, isto é, um grande Mestre e testemunha da fé. Os seus olhos não estavam voltados para a terra, mas eram janelas abertas para o céu. E por isso, como os Magos, soube estar atento aos sinais e guiar a Igreja na direção justa, até discernir e decidir livremente dar lugar a outro, seguindo por outro caminho, de serviço orante, discreto e igualmente fecundo à Igreja. E vede como terminou Bento XVI a sua peregrinação na Terra, o seu caminho ao encontro face a face com o Senhor?! Terminou naquela frase, a última que ele, prostrado, pronunciou como um sussurro, como um suspiro, como o seu último gesto de adoração: “Senhor, eu amo-Te”. É o beijo, o abraço, a declaração de amor, que resume todo o seu caminho de fé.

4. Quem dera, que o nosso caminho de fé nunca se instalasse na comodidade do que ouvimos dizer; nunca se contentasse com o reconhecimento de um Deus, princípio criador de todas as coisas, que governa o mundo, fixa e move as estrelas (cf. DCE 9). Quem dera que o nosso caminho de fé chegasse à relação pessoal com um Deus, que nos ama com a paixão de um verdadeiro amor (cf. DCE 10). Quem dera que a nossa fé brotasse do “encontro pessoal com Cristo, que dá à nossa vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo” (DCE 1). Quem dera, que pudéssemos traduzir a nossa fé numa declaração de amor, com a de Bento XVI: “Jesus, eu amo-te”. Que melhor presente poderíamos dar ao Senhor senão abraçá-l’O como o maior presente da nossa vida?! Abraça o presente de Natal. É Cristo vivo.

 

 


 

 

 

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