Liturgia e Homilias no XVII Domingo Comum C 2019
Destaque

Senhor, ensina-nos a rezar” (Lc 11,1). É a prece do discípulo, que não pode seguir Jesus, até ao fundo, se não entrar na relação profunda de Jesus com o Pai. A Oração do Pai-Nosso, que Jesus ensina, não é mais uma oração no catálogo da piedade. É uma Catequese sobre o modo de rezar dos discípulos, que hão de aprender a fazer da oração um tratado de amizade, com a confiança de filhos, que esperam o melhor do Pai.

Homilia no XVII Domingo Comum C 2019

1. Jesus reza. Isto não devia ser novidade para ninguém. Mas, às vezes, parece que não. Somos tão marcados pela ação e pela competição, que a oração parece e aparece-nos como uma perda de tempo, uma espécie de ócio espiritual, para quem não tem mais nada que fazer. Por isso, é bom perceber como Jesus se move sempre, impelido pelo Espírito Santo, pela força da oração. E como a oração pode ser o nosso primeiro instrumento de trabalho.

2. Jesus reza. Sim. Reza, em casa, com os pais, na família de Nazaré,ereza com o seu povo, na sinagoga da sua terra. Reza nos braços dos anciãos, no templo de Jerusalém e reza a sós, na intimidade com o Pai. Reza na intimidade da tenda com os discípulos mais íntimos e com eles reza também na escuridão do Jardim das Oliveiras. Reza com o silêncio e reza com as palavras, no caminho e na Cruz. Reza com palavras suas e faz suas outras palavras conhecidas da Escritura. Reza com os discípulos e reza no meio da multidão. Reza nos momentos decisivos e no tempo quotidiano. Reza, do princípio ao fim da sua vida, do nascer ao pôr do sol. Junto do Pai, Jesus reza e intercede continuamente por nós.

3. Jesus reza. E, com a sua prática insistente, desperta o desejo dos discípulos e, a pedido destes, ensina-os a rezar. Os discípulos percebem que não podem sê-lo, não podem seguir Jesus, sem entrar na sua intimidade com o Pai, se não se tornarem aprendizes humildes da oração. E então Jesus, partindo da sua experiência, ensina-lhes não mais uma fórmula, não uma rezamaisnem mais uma oração. Ensina-os simplesmente a rezar. Surpreende-os, desde logo, com o início, rezando ao Pai e não a um patrão ou a um padrasto. O discípulo de Jesus vive a oração como um tratado de amizade com Aquele por quem se sabe amado. O discípulo reza como um filho a um Pai, com audácia e confiança, com persistência.

4. Por isso, o Evangelho recolhe dois ensinamentos de Jesus, colados ao Pai-Nosso: o primeiro fala de um amigo importuno,que insiste e não desiste. E, com isto, Jesus quer ensinar-nos a rezar e a insistir sem desistir na oração. Rezar sem desistir é já uma vitória sobre a solidão e o desespero. Deste modo, ao rezar já se está a alcançar o que verdadeiramente nos faz falta. O segundo ensinamento fala de um filho faminto diante do Pai: “Qual pai de entre vós, se o filho lhe pedir um peixe, porventura lhe dará uma serpente?» (Lc 11,11). O mesmo é dizer: Deus responde sempre; nenhuma oração deixará de ser ouvida, porque é nosso Pai. Se a oração não muda as coisas ao nosso redor, pelo menos muda-nos a nós. E, na medida em que a oração nos muda a nós, transforma o mundo.

5. Irmãos e irmãs: a oração é o primeiro e principal «instrumento de trabalho» nas nossas mãos! Que o tempo de verão seja também um tempo de luta na escola da oração.

 

 

 

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